terça-feira, 28 de outubro de 2008

Eu Quero Ver

Julho de 2006, Israel inicia uma guerra no sul do Líbano em resposta aos ataques de foguete e da captura de dois soldados israelitas pelo Hezbollah. Poucos meses depois, a atriz Catherine Deneuve vai a Beirute para um evento de gala em nome da caridade. Apesar do calendário apertado e da perigosa viagem, ela decide visitar o sul do Líbano. Guiada pelo ator libanês Rabih Mroué, percorrem zonas afetadas pela guerra em uma aventura imprevisível. Essa imersão da atriz permitirá que a beleza da área seja capturada? Os olhos libaneses serão capazes de acompanhar esta viagem?
França/Líbano, 2008
No começo deste "road doc." é nítida a expressão de perplexidade na fisionomia da diva Catherine Deneuve ao se deparar com as ruínas e o caos total impregnado na cidade de Beirute após a guerra de 2006. Ela fica indignada ao constatar que ninguém usa o cinto de segurança e não diferem o sinal verde do vermelho. (vemos isso todo dia em nosso país e nem passamos por uma guerra, não como a deles.) O desconforto do ator libanês também é visível, talvez por estar guiando a estrela do cinema francês pelos escombros de sua terra natal. No entanto, com o decorrer da viagem ambos vão se soltando. O fato de ser um documentário realizado em película, faz com que a realidade se confunda com a ficção em certas passagens como quando a equipe sai correndo do carro desesperada porque o ator havia pego a estrada errada onde teoricamente, haveriam minas à rodo. Mas isso não importa. Ao chegarem ao sul do Líbano, ficamos pensando como pode uma guerra absurda destas destruirem local tão lindo. A narração em arábe quase ao final do filme sobre as imagens da destruição à beira-mar é de arrepiar. Poderoso!

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29/10 - quarta-feira14:00
Unibanco Arteplex 4














Cinzas do Passado Redux

“A bandeira está parada. O vento está calmo. É o coração dos homens que está agitado!” (do cânone budista). Cinzas do Passado Redux é baseado nos personagens do romance de artes marciais de Louis Cha, The Eagle-Shooting Heroes. O filme é dividido em cinco histórias, cinco estações que fazem parte do calendário chinês, e se passa no jianghu, o mundo das artes marciais. Ouyang Feng viveu no deserto ocidental por alguns anos. Deixou sua casa na Montanha do Camelo Branco quando a mulher que amava escolheu casar-se com seu irmão mais velho. Em vez de buscar fama, ele vira um agente. Quando as pessoas o procuram com desejo de se livrar de alguém que as trapaceou, ele as coloca em contato com um espadachim que pode fazer o serviço.
Hong Kong/China, 2008
Direção: Wong Kar Wai
Após sua incursão pela América (não muito feliz na minha opinião) Wong Kar Wai traz mais um belo filme sobre o que ele faz de melhor: - Mostrar as dores do amor. Desta vez através da beleza das artes marciais. Você pode até pensar que ele teria feito algo parecido com "Herói", mas as lutas de seus personagens não estão centradas nos malabarismos de espadachins invencíveis e tampouco imortais. Um vinho que faz você esquecer do passado, pois já dizia-se que a memória, é a raiz dos problemas do homem. Está longe de suas melhores obras como "Amores Expressos" e o maravilhoso "Amor á Flor da Pele", mas ainda assim, um grande filme. E claro que não poderiam faltar seu ator e atriz fetiches Tony Leung e Maggie Cheung. Um kar Wai um pouco diferente, afinal é sempre bem vinda a renovação que um diretor procura para sua obra, mas a essência de seu trabalho está presente. Talvez não no auge, mas ainda assim, com muita beleza.

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28/10 - terça-feira 18:00
Cine Bombril Sala 1
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29/10 - quarta-feira 19:10
Cine TAM
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30/10 - quinta-feira 15:30
Espaço Unibanco Augusta 3









domingo, 26 de outubro de 2008

Choke

Uma colorida comédia de humor negro sobre a relação entre mães e filhos, compulsão sexual e o sórdido lado oculto dos parques temáticos de Colonial. Victor Mancini, um ninfomaníaco desistente do curso de Medicina, mantém sua mãe Ida, que está cada vez mais perturbada, em um caro hospital, para poder trabalhar como ator. Ele está representando um papel histórico em um parque temático de Colonial Williamsburg. À noite, Victor freqüenta finos restaurantes e finge estar engasgado, na esperança de ser salvo por um abastado cliente. Quando sua mãe, num estranho momento de lucidez, revela que guardou a surpreendente verdade sobre a identidade de seu pai, Victor conta com a ajuda de seu melhor amigo Denny e da bela médica Dra. Paige Marshall para desvendar o mistério. Antes que a verdade sobre seu parentesco divino se perca para sempre.
EUA, 2008
Direção: Clark Gregg
Uma comédia sobre vicíos e carências. O filme proporciona boas risadas e conta com bons atores. Angelica Huston faz o papel da mãe pertubada. Aliás, um papel onde ela vem se destacando em sua filmografia recente. Em "Viagem para Darjeeling" ela também faz uma mãe relapsa. Um filme justo com cara de comédia americana, (Não vá pensar em "American Pie") mas não é o tipo de filme que agrade muito aos frequentadores da Mostra. Espere o dvd que você ganha mais.

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29/10 - quarta-feira 14:30
Espaço Unibanco Pompéia 10




Gomorra

Poder, dinheiro e sangue: são estes os valores que os moradores da Província de Nápoles e Caserta têm de enfrentar diariamente. Eles quase nunca têm uma escolha e são praticamente obrigados a obedecer às regras do "sistema", a Camorra. Apenas um sortudo pode pensar em levar uma vida normal. Cinco histórias são tecidas em conjunto neste cenário violento, fixado em um mundo cruel e aparentemente imaginário, mas que está profundamente enraizado na realidade.
Itália, 2008
Direção: Matteo Garrone
Um retrato fidedigno da famosa máfia italiana (Camorra) contada através da história de 5 personagens. Impossível não perceber a influência de obras como "Scarface" e "Táxi Driver" nesta película. Não me refiro ao tema em si, mas a linguagem cinematográfica e atuação de alguns de seus personagens. Seja a máfia das drogas ou da moda. Gomorra é um excelente filme com atores muito bem dirigidos com um roteiro muito bom. A eterna guerra fantasma que ocorre sob nossos narizes e que ninguém faz questão de ver. Quantas vidas foram sacrificadas para que a bela Scarlett Johansson exibisse seu lindo vestido em um glamouroso festival de cinema? Descubra neste ótimo filme. Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes.

Waltz With Bashir

Uma noite em um bar, um velho amigo diz ao diretor Ari Folman sobre um pesadelo recorrente no qual ele é perseguido por 26 cães ferozes. Todas as noites, o mesmo número de bestas. Os dois homens concluem que há uma ligação com a missão do exército israelita na primeira Guerra do Líbano nos anos 1980. Ari fica surpreso, pois não se lembra de mais nada deste período de sua vida. Intrigado com esta questão, ele decide reunir e entrevistar velhos amigos e conhecidos de todo o mundo. Ele precisa descobrir a verdade sobre aquele tempo e sobre si mesmo. Conforme Ari aprofunda-se no mistério, sua memória começa a se arrastar através de imagens surrealistas...

Israel/Alemanha/França, 2008
Direção: Ari Folman

Animação para gente grande sobre um tema doloroso. Extremamente bem feita e com um roteiro muito bem amarrado. As lembranças e visões surrealistas do protagonista proporcionam imagens de encher os olhos. A narração no entanto faz com que o filme torne-se lento em excesso, provocando um certo cansaço. O desfecho contudo é arrebatador. Mesmo em se tratando de um episódio verídico, a animação com certeza dá uma amenizada na crueldade dos fatos ocorridos. Quando de repente vemos na tela as imagens reais desta guerra tenebrosa, a ficha cai e ficamos com uma sensação de impotência e fragilidade. Bom programa, mas não vá cansado.

Um Homem Bom

Na Alemanha dos anos 1930, John Halder é considerado um “bom alemão”. Professor de Literatura tímido, honesto e idealista, ele mora com a esposa muito ansiosa, dois filhos carentes, e a mãe que sofre de demência senil. Acabou de publicar um romance defendendo a idéia de que a eutanásia é um ato de compaixão. A pesquisa levou-o a investigar mais a fundo sua difícil situação familiar, o que poderia ter se transformado num rico material para o livro. No entanto, ele arriscadamente escolheu explorar o assunto dentro do ambiente deturpado da ideologia nazista. Não leva muito tempo até os nazistas voltarem sua atenção para a tese de John e ele é convocado para uma entrevista com o chefe local do partido. São tempos incertos e John rapidamente percebe que mesmo as pequenas escolhas podem ter conseqüências devastadoras. À medida que troca seu paletó de professor pela camisa marrom dos nazistas, ele descobre que a vida e as escolhas pessoais carregam muito mais peso do que jamais havia imaginado.
Inglaterra/Alemanha, 2008
Direção: Vicente Amorim
Mais um filme que disseca um dos piores momentos da história da humanidade. Desta vez sob o ponto de vista de um professor universitário que cede ao poder para conseguir atingir seus objetivos, mesmo sendo totalmente contra. Os atores estão excelentes, o roteiro é ótimo e a direção excelente. Amorim ainda consegue encaixar poesia dentro de um tema tão cruel. Os delírios do protagonista são uma amostra disso e um presságio do que estava por ocorrer. Um filme principalmente sobre as escolhas que tomamos no decorrer de nossas vidas. Filmaço!
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27/10 - segunda-feira 18:50
Unibanco Arteplex 2
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28/10 - terça-feira 21:40
IG Cine

Horas de Verão

As distintas trajetórias de dois irmãos e uma irmã de quarenta e poucos anos se chocam quando sua mãe — que preservava a obra de seu tio, o excepcional pintor do século XIX Paul Berthier —, morre repentinamente. Os filhos são levados ao confronto de suas diferenças. Adrienne, uma bem sucedida designer em Nova York; Frédéric, economista e professor universitário em Paris; e Jérémie, um dinâmico empresário que vive na China, são apresentados às texturas e lembranças do final da infância, às memórias partilhadas, criando uma visão única do futuro.

França, 2008
Direção: Olivier Assayas

Para quem aprecia arte é um prato cheio. Quadros, mobílias, peças com design inovadores e consagrados fazem parte do cenário deste belo filme que não é somente um catálogo de arte. Mas vale destacar o trabalho da produção de arte. Lendo somente a sinopse temos a impressão de ser mais um daqueles dramalhões onde os encontros proporcionados pela desgraça sempre possuem o mesmo desfecho: - Lavar a roupa suja acumulada por anos. Mas Assayas foge deste clichê e nos oferece mais um excelente exemplar da ótima cinematografia francesa, com certeza, a melhor da Europa nos últimos anos. O tema é delicado (espólio), mas o desfecho deste pesar é resolvido da maneira mais civilizada que a velha Grécia deixou de herança: - A Democracia. Discussões e diferenças? Claro que existem, mas seus personagens sabem dialogar para chegar a um senso comum. Assayas nos mostra um pouco do requinte e da sabedoria deste povo que eu admiro. Sempre elegantes, cultos e inteligentes com uma mente muito mais aberta que a de qualquer outro país. O dia que nosso povo entender que somente a educação e a cultura podem mudar nosso futuro, o Brasil começara a ser um país melhor. É um trabalho de gerações sim, mas se não plantarmos a semente ... E de lambuja, tem a presença da musa Juliette Binoche. Muito bom.








Por Sus Propios Ojos

Alicia, uma estudante de cinema, está prestes a ser reprovada porque não consegue terminar sua tese sobre mulheres associadas a condenações. Estas mulheres recusam-se a serem entrevistadas porque não querem ser estigmatizadas. Ela conhece Elsa, que concorda com uma entrevista contanto que seu filho, um prisioneiro, também seja entrevistado. Alicia acha que está sendo chantageada e tenta se livrar da situação, mas finalmente concorda em ir à prisão. E seu mundo desaba.

Argentina/França, 2007

É sempre interessante ver o filme dentro do filme. Contudo, no caso deste argentino, tudo parece meio inacabado. O documentário que a protagonista prepara para sua tese deve ser melhor que este filme que mostra o processo de realização do mesmo. As atrizes são esforçadas, mas falta mão na direção e o desfecho pareceu algo de quem não sabia muito como concluir a película. Fraco.

sábado, 25 de outubro de 2008

O Canto dos Passáros

Os três Reis Magos viajam em busca do Messias que está para nascer. A jornada é engraçada. Há uma constante brincadeira sobre se será possível ou não escalar uma montanha, já que dois dos reis são pesados. Encontram abrigo do sol e tentam dormir, mas não sabem como ficar confortáveis e discutem sobre quem está mentindo. Anjos aparecem e prenunciam a vinda do Senhor. José é o único personagem a não falar catalão no filme, preferindo se expressar em hebraico.

Espanha, 2008
Direção: Albert Serra



Tentemos entender o cinema de Albert Serra. Do mesmo diretor de "Honor de Cavalleria", que fez sucesso na 30° Mostra indo inclusive parar na repescagem, "O Canto dos Pássaros" é um filme tão chato quanto o da Mostra retrasada.

Existe uma diferença entre filme ruim e filme chato, e os dois filmes que vi de Serra são muito chatos. Os dois são adaptações mais que livres de clássicos populares. O primeiro de Dom Quixote e este último sobre a peregrinação dos 3 Reis Magos para encontrar o menino Jesus.

O cinema de Serra é totalmente autoral e sensorial. Ele gosta de provocar o público com sua câmera estática onde nada acontece. Por um momento achei que o cabritinho que Maria carregava pra cima e para baixo pudesse ser a representação de Jesus na visão de Serra. Vai saber hahaha.

O filme tem alguns lampejos sensacionais, como a cena dos magos reverenciando o menino Jesus, mas não chega a salvar a fita. Serra quer incomodar o público através de suas artimanhas cinematográficas como estourar a luz logo após uma cena escura. Suas sequências infinitas e estáticas fazem com que você se canse junto com os personagens (uma sacada muito boa da minha princesa).

Na verdade, acho que Albert Serra mostrou-se um diretor muito pretensioso nos dois filmes que acompanhei. Outro fenômeno que seus filmes provocam é o exôdo da sala. Concordo que isso não quer dizer (quase) nada. Neste caso acho que disse. Só neste último cerca de 20 pessoas deixaram a sala, média semelhante ao seu outro filme que conferi à 2 anos atrás. Não é ruim, mas é chato que dói.

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19/10 - domingo15:40
IG Cine883
26/10 - domingo21:30
HSBC Belas Artes 2







24 City

Chengdu, dias atuais. O estado possui 420 fábricas que virão abaixo para dar lugar a um complexo de apartamentos de luxo chamado 24 City. Três gerações, oito personagens: velhos operários, executivos e yuppies da fábrica e suas histórias se fundindo à história da China.



China, 2008
Direção: Jia Zhang-ke

Costuma-se dizer que quando muita gente sai no meio de um filme quer dizer que ele é muito ruim ou muito bom. No caso de 24 City posso dizer que trata-se da 2° opção. O cineasta mais atuante da China ultimamente, mais uma vez nos presenteia com um lindo filme. Um documentário que flerta com a ficção. Depoimentos emocionantes e sinceros que me fez lembrar um pouco o trabalho de Eduardo Coutinho. Como em todos seus filmes anteriores, Jia vai na raiz dos problemas da China moderna e as consequências sofridas por sua população. E como esse homem filma maravilhosamente bem. Poesia para os olhos! A força e determinação deste povo é captada através da lente mágica de Jia. Uma das pessoas retratadas em dado momento diz assim: " - Estou aposentada, mas continuo costurando para fora. Para não ficar parada e porque eu gosto. Quando você se mantém ocupada, a velhice chega mais devagar ... ". Sábias palavras de uma simples trabalhadora. Quando nosso país estava nascendo, os chineses já haviam inventado o papel. Bota história nisso. Do mesmo diretor de "Em Busca da Vida", "Plataforma", "O Mundo", "Inútil" , "Dong" entre outros.
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25/10 - sábado20:00
IG Cine
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28/10 - terça-feira17:30
CineSesc
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29/10 - quarta-feira17:10
Reserva Cultural Sala 1