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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A Banda



Israel/França, 2007
Direção: Eran Colirin

Era uma vez, há não muito tempo, uma pequena banda da polícia egípcia que chegou a Israel. Eles vieram para tocar na cerimônia de inauguração de um centro cultural árabe, mas por causa da burocracia, falta de sorte ou qualquer que seja a razão, são esquecidos no aeroporto. A banda tenta se deslocar por conta própria, mas vai parar numa pequena, desolada e quase esquecida cidade israelense, em algum lugar no coração do deserto. Uma banda perdida numa cidade perdida – pouca gente se lembra disso. A obra conquistou oito prêmios da Academia de Cinema de Israel: melhor filme, direção, roteiro, ator (Sasson Gabai), atriz (Ronit Elkabetz), ator coadjuvante (Saleh Bakri), música e figurinos.

Primeira grande surpresa da minha programação. A Mostra tem dessas coisas. Encontrar um bom filme do lugar mais inóspito e com o charme de saber que poderá ter sido a última vez que você verá tal filme. O roteiro deste filme é originalíssimo e um dos melhores que pude confeir nestes 3 primeiros dias de Mostra. Uma Banda do exército egípcio é convidada para tocar em algum lugar de Israel. O problema é que eles parecem estar na cidade errada e é aí que entra a mão do todo poderoso que dizem escrever certo por linhas tortas. Atores sensacionais, personagens ótimos, direção segura e além de tudo, uma bela trilha com clássicos do jazz interpretados pela Banda e também música folclóricas do Egito. Uma maravilha.
SESSÃO DATA SALA
31
19/10 sexta-feira15:30 Cinemateca - sala BNDES
178
20/10 sábado21:30 Cine TAM
361
23/10 terça-feira16:40 Unibanco Arteplex 3
989
30/10 terça-feira22:50 CineSesc

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Três Mães





Israel, 2006
Direção: Dina Svi-Riklis


Rose, Flora e Yasmin nasceram na Alexandria, Egito, em 1942. Atualmente em Israel, elas dividem um apartamento em que não há homens nem crianças. Elas vivem entre segredos e mentiras e buscam a redenção em Rachel, única filha de Rose. As três contam para ela a história de suas vidas, as memórias, sacrifícios e traições. Ao fim dessa jornada, elas retornarão à Alexandria.

O melhor filme do dia. Aliás, os filmes israelenses foram os que mais gostei nesta Mostra, além de "3 Mães" , o meu preferido deste ano "As Coisas que o Sol Esconde" que eu fui conferir duas vezes, afinal, sabe-se lá quando terei a oportunidade de revê-lo, se é que a terei. Você ainda pode conferir pois ele estará na repescagem. Em "3 Mães" podemos conferir ótimas atuações das atrizes principais, direção e roteiro muito bons, além da sensacional trilha sonora com canções regionais que a personagem Rose nos proporciona. Belo filme.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

As Coisas que o Sol Esconde



Israel, 2006
Direção: Yuval Shafferman

Com seu pai em estado de coma, Itzhak finalmente decide visitar o velho homem à beira da morte, quebrando dez anos de silêncio entre os dois. Mas enquanto está no hospital, Itzhak, um homem abatido e emocionalmente travado, frustra-se por se sentir negligenciado por sua própria família. Esta é formada por sua esposa, uma artista reprimida, seu filho de trinta anos, um filosófico junkie que ainda vive na casa dos pais, e sua filha do meio, uma lésbica atormentada que fugiu de casa há muito tempo. Itzhak não entende por que a filha caçula, Didush, de 10 anos, abandonada e quase invisível para a família, está visitando secretamente o avô, com quem ela nunca havia se encontrado antes. Para decifrar os mistérios daquela família, Didush terá que enfrentar uma jornada pelas alienadas almas de seus parentes. É a história de “ilhas” humanas isoladas, que tentam se reconectar. Aborda a necessidade de amor, separação e consolo para se obter paz entre pessoas próximas, encontrando assim formas de atingi-las emocionalmente.

Simplesmente sensacional. Talvez eu tenha me identificado com alguma parte do filme e esteja exagerando um pouco, mas foi lindo. A pequena Didush é a pequena atriz mais fofa que já vi, e olha que se ela sorri duas vezes no filme é muito. E como trabalha bem. A família e seus problemas. Personagens ricos, direção perfeita e atores ótimos. Roteiro super bem desenvolvido. Forte às vezes, engraçado outras, mas sempre verdadeiro. Sentimentos retraídos e outros ainda nem experimentados, mas nunca é tarde para colocá-los pra fora. Cuide e curta, enquanto é possível. O tempo passa. As coisas mudam ...

sábado, 4 de fevereiro de 2006

Free Zone



Israel/Bélgica/França/Espanha, 2005
Direção: Amos Gitai

Como todos os outros filmes do israelense Amos Gitai, "Free Zone" trata da relação Israel/Palestina. Desta vez com 3 atrizes fabulosas.

Natalie Portman, que nasceu em Israel, procurou Gitai para protagonizar este filme. Ele conta a história de 3 mulheres que se encontram por motivos que só a alma feminina pode explicar. O amor e caridade acima de qualquer indiferença religiosa. Uma americana, uma israelense e uma palestina.
Se você sobreviver aos 10 minutos iniciais, o restante fica fácil. No início, um grande plano sequência mostra Natalie chorando, mas chorando muito. E como ela chora! Coitada da princesa Léa.

Ela está no táxi de Hanna. Hanna pergunta seu destino e Natalie responde: - Me leve com você. Natalie encontra-se deprimida pois acabara de romper com o namorado. Após muito insistir, consegue convencer Hanna que a leve para O Free Zone, uma feira de automóveis usados na divisa da Jordânia com Israel e Palestina. Hanna tem que ir até lá para receber um dinheiro que lhe devem. A partir daí entra a terceira mulher, a palestina. Tratam-se com indiferença e a americana sempre vendo tudo de fora.
Trata-se de um road movie, que mostra que antes de qualquer coisa, somo humanos e nosso instinto básico, independente de qualquer coisa, é ajudar o próximo.

As 3 partem no táxi, parecendo não haver diferenças tão cruciais entre elas, até que a briga em torno do dinheiro volta a ser o ápice do encontro. Quando a discussão esquenta, entre a israelita e a palestina, a americana sai do carro e começa a correr. Sim , o filme esta cheio de metáforas.

Neste caso podemos dizer que talvez os EUA prefiram se abster desta briga, mas sempre pendendo para o lado de Israel.
É um filme diferente, como todos de Gitai. Lento, porém sua cabeça acelera. É bom sair do cinema tentando decifrar o que o filme quis mostrar, muitas vezes melhor do que aquele que nos traz tudo mastigado. Vale também pela maravilhosa Natalie Portman e pelo impressionante trabalho de Hanna Laszlo que ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes. Um filme para poucos. Acredite.






postado em 04/02/2006 no O Crítico Sou Eu.