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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

THE DAY HE ARRIVES

Coréia do Sul, 2011
Direção: Hong Sangsoo

Vencedor da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2010 com "HA HA HA", já comentado por aqui, Sangsoo é chamado pela crítica como o Woody Allen ou Eric Rohmer asiático e ele nunca escondeu sua influência por estes mestres.

Em "The Day He Arrives", Sungjoon, um ex-diretor de cinema vai a Seul para reencontrar seu melhor amigo. Sung mora atualmente no interior lecionando e está dando um tempo das filmagens.

Em suas perambulações por Seul, Sung cruza vários personagens como jovens estudantes de cinema que admiram seu trabalho, uma atriz e conhece também novas pessoas apresentadas por seu amigo. Com muitos destes personagens ele senta à mesa, onde bebem e filososofam sobre a vida. E nestas conversas deliciosas Sangsoo demonstra toda sua habilidade e controle sobre a narrativa. Uma divertida crônica sobre a solidão.

Como disse um crítico, acho que foi o Cassio Starling Carlos da Folha: Sangsoo está deixando de ser discípulo para tornar-se mestre. Concordo plenamente.





quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Time



Coréia do Sul, 2006
Direção: Kim Ki-Duk

Depois de dois anos, o relacionamento da atraente Seh-Hee com seu namorado Ji-Woo está passando por um período de desgaste. Apesar do amor por sua noiva, Ji-Woo olha para outras mulheres para sentir na cama a mesma excitação que tem quando está com outras parceiras. Seh-Hee, que não quer mais a desconfiança dominando sua vida, decide mudar sua aparência dramaticamente. Quer se transformar numa nova mulher, por quem seu namorado volte a se apaixonar. Ela se interna numa clínica de cirurgia plástica e desaparece por seis meses, tempo suficiente para que as cirurgias cicatrizem. Ji-Woo fica magoado e confuso com seu desaparecimento. Ressurgindo como uma garçonete na cafeteria que Ji-Woo freqüenta, Seh-hee – agora com o nome See-hee – tenta seduzi-lo. Mas entre eles está o fantasma da namorada perdida de Ji-Woo, por quem ele ainda sente um grande amor. A desconfiança entra mais uma vez na instável vida que Seh-hee criou artificialmente para si.

Se liga na filmografia do rapaz: "Casa Vazia", "Primavera, Verão, Outuno, Inverno... e Primavera", "O Arco", pois é, não é fraco não. Já vou avisando que mediante tais obras, " Time", talvez seja o mais fraco deles, mas mesmo assim, continua muito acima da média. Ciúmes todos temos, mas a partir do momento que isso torna-se obsessão, o negócio vira doença. A falta de diálogo e confiança é a chave para a paranóia, tratada aqui à maneira de Kim, ou seja, discretamente e sutilmente. Achei que o filme perdeu-se um pouco por alguns momentos na parte final, quando ele descobre a verdade, contudo a conclusão apaga esta má impressão momentânea e mais uma vez, Kim Ki-Duk conclui seu filme de maneira poética e linda. Vale seu tempo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Casa Vazia


Coréia do Sul/Japão, 2004
Direção: Kim Ki-duk


Já fazia algum tempo que eu queria assistir Casa Vazia. Eis que reencontro um grande amigo nos bares da cidade e ele diz que havia assistido ao filme. Altamente recomendável Rucher. Eu e Buri sempre conversamos sobre as maravilhas da sétima arte quando nos encontramos. E no dia seguinte lá estava eu na sala de cinema para acompanhar este lindo filme.
Dirigido pelo coreano Kim Ki-duk, Casa Vazia conta a história de um jovem que não tem residência fixa. Ele invade casas de pessoas que estejam viajando e lá vive por alguns dias. Nada rouba, não é essa a intenção. Ele come da comida, tira fotos e em troca da hospitalidade forçada lava roupas, limpa a casa e realiza pequenos consertos. Por quê? O que o leva a viver invadindo a casa dos outros? Talvez seja uma crítica do diretor ao consumismo exacerbado e ao capitalismo. Ou melhor ainda, talvez o personagem tenha atingido um estado de nirvana, onde ele passa a viver como um fantasma.

No Budismo, talvez possamos achar a explicação para este personagem tão curioso. Atingido o Nirvana, ele vive como se não existisse e aceita o castigo quando é pego passivamente, aguardando pacientemente o dia de sua libertação. Parece não sentir dor e vive brincando com o guarda que insiste em castigá-lo com inúmeras surras.
Em uma de suas invasões, ele se depara com uma mulher que é maltratada pelo marido, um rico empresário. No começo eles estabelecem uma relação de companheirismo e escapismo. Ambos querem escapar da realidade e ela passa a acompanhá-lo nas invasões. Com o tempo a relação vai tomando outros caminhos como carinho e cumplicidade, até chegar ao amor.

Uma imagem vale mil palavras? Vale muito mais, e o diretor prova isso de maneira fantástica. O ator principal permanece mudo durante todo o filme e sua companheira deve falar no máximo umas 3 vezes e poucas palavras. Isso torna o filme muito poderoso. Mesmo quando seus rostos não transmitem muita expressão. O diretor trabalha muito com as imagens dos atores de forma delicada e diferente. Estes por sua vez estão muito bem. A dupla esta muito bem dirigida e em cenas muito simples nos passam uma emoção incrível como o começo do primeiro beijo. Chega a lembrar de leve o trabalho de Wong Kar Wai.
Enfim, ele é preso e ela também, mas não na cadeia convencional e sim na cadeia que seu marido criou, ou seja, seu casamento falido. Solitário na sua cela, ele mostra que realmente atingiu o nirvana. Você entenderá o que eu digo. Quando sai da prisão, assume o fantasma e passa a viver com sua amada. Ele, ela e o marido dela. Afinal, ele é um fantasma. Ou não? Realidade ou fantasia? As vezes é melhor sonhar, no caso do filme, é fundamental. Maravilhoso!!!












postado originalmente no o critico sou eu em 28/09/2005.