sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tim Festival

SONNY ROLLINS NO IBIRAPUERA

Saindo um pouco do assunto "Mostra", não poderia deixar de citar aqui este evento que acontece paralelamente. O Tim Festival deste ano está bem interessante. Pena que acontece na mesma época e para conferir os dois eventos é necessário primeiramente um bol$o recheado e segundo, muita disposição após a maratona de filmes. Speranza Spalding e Sonny Rollins são os grandes destaques deste ano. Este último fará um show amanha na parte externa do Audiório Ibirapuera. Se você tiver pique de acordar cedo após a última sessão de hoje, não irá se arrepender. E olha que o horário é bonzinho para conosco. Dá para curtir o show, tomar um sol e depois se esconder o dia inteiro no friozinho do cinema. Programa imperdível. Enche a cara de café, pó de guaraná, energético e se joga.

Quando: Sábado/ 25-10 as 11:00
Onde: Auditório Ibirapuera
Quanto: Na faixa!!!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Café dos Maestros

Tango não é apenas uma dança, tango é um estilo de vida. O Tango pertence à Argentina - e em especial às cidades de Buenos Aires e Rosário, onde a dança é muito mais que um simples eco nostálgico. Muitos dos idosos continuam a praticar — alguns deles o fazem há oitenta anos. Temos o retrato de alguns destes músicos excepcionais, incluindo criadores de repertório clássicos do tango e fundadores de uma variedade de estilos e escolas, bem como os membros das bandas e orquestras que alcançaram a fama nos anos 1940 e 1950, na era dourada do tango. Vários protagonistas se tornaram grandes nomes no exterior, enquanto outros restringiram sua atuação ao interior da Argentina. O músico e compositor argentino Gustavo Santaollala (vencedor de dois Oscars por sua música para os filmes Brokeback Mountain e Babel) atua como guia, para apresentar as grandes estrelas do famoso ritmo — Leopoldo Federico, Lágrima Ríos e seu violonista Aníbal Arias, além do dueto Libertella e José Luis Stazo. O clímax acontece em uma noite no famoso Teatro Colón de Buenos Aires.
EUA/Brasil/Reino Unido/Argentina, 2008
Direção: Miguel Cohan
Sensação de déja vú ? Pensei que fosse o "Buena Vista" argentino. Bem que eles tentaram, mas este documentário está longe de poder ser comparado à obra de Wim Wenders. Amo tango, esta música forte que vem da alma e arrepia, mas o filme não corresponde aos Maestros retratados. Posso citar um documentário sobre o mesmo assunto que passou na Mostra do ano retrasado e esteve em cartaz neste ano: O lindo "O Último Bandonéon". Este sim um belo documentário à altura desta música fantástica. Aqui, Gustavo Santaollala que fez a lbela trilha de "Brokeback Mountain" seria o equivalente à Ry Cooder em "Buena Vista". O Teatro Colón é o Carneggie Hall. A diferença básica fica por conta do acréscimo da dança. Sem a dança o Tango não existe. E como é lindo ver um casal dançando. Chega a ser quase um ritual de acasalamento. A pegada, os olhares, o sex appeal ... Mas como cinema é fraco. Alguns depoimentos, imagens dos "milongueiros" em estúdio, imagens de casais dançando e o show no Cólon. Muito pouco. Você acaba saindo da sessão sem saber quase nada sobre os protagonistas. São muitos e é sobra pouco tempo para cada um, pois pelo menos 1/2 hora do filme é somente o show. Entendo que a beleza da música e da dança encantam qualquer um. Se fosse para avaliar somente o Tango, a nota seria 5 com certeza, mas como estamos falando de cinema ... Se tiver a oportunidade de assistir "O Último Bandonéon", faça-o e você irá me entender. "Café Dos Maestros" é um filme para se "ver" com os ouvidos. Resumo da ópera: -Compre a trilha sonora que você já terá visto tudo. Essa sim vale a pena.
1086
29/10 - quarta-feira 20:40
IG Cine









Caixa de Pandora

Um irmão e duas irmãs vivem no centro de Istambul. Com quase quarenta anos, ambos levam vidas muito diferentes, centradas em preocupações comuns às classes médias e altas. Um dia, um telefonema leva-os em uma viagem através da Turquia, subúrbios e aldeias, até uma pequena vila nas montanhas do Mar Negro, onde nasceram. Sua idosa mãe, Nusret, está desaparecida. Os irmãos começam a lembrar sobre ela e as tensões rapidamente se revelam, como uma Caixa de Pandora que, depois de aberta, espalha todos os problemas ao redor. Velhas feridas estão abertas novamente. Quando eles encontram a mãe e decidem trazê-la para Istambul percebem que ela está sofrendo de Alzheimer. O confronto com a sordidez de Nusret os leva a perceber como suas vidas são pobres.

Turquia/França/Alemanha/Bélgica, 2008
Direção: Yesim Ustaogu

Filmes que abordam o "Alzheimer" não são novidade. Confesso que minha primeira impressão para este filme não foi das melhores. Não que eu tenha achado ruim, mas assim que acabou, não via muitas qualidades a não ser a atriz principal (MARAVILHOSA!). No entanto, sou humilde para rever minha opinião. O que acontece é que achei algumas cenas forçadas no início. O carro que de repente não pega. As filhas que deixam a mãe sozinha sabendo que ela sofre de Alzheimer. É óbvio que vai acontecer alguma coisa. Nunca se pode deixar alguém que sofre desta doença sozinho. Mas a partir do momento que ela encontra o neto, o filme melhora da água para o vinho. Os dois estão fugindo. Ela quer ir para sua montanha e o garoto foge dos pais. Avó e neto fogem da família problemática, como não poderia deixar de ser. O neto parece trazer uma certa lucidez à personagem, que em alguns momentos, parece ser a mais lúcida de todos com suas frases de efeito. O final é lindo e somente o neto poderia entender o desejo de sua avó de fugir para a montanha, afinal, ele esteve fugindo durante todo o filme. Uma coisa que me incomoda são as risadas da platéia para cenas não muito agradáveis. Talvez eles achem engraçado uma velha mijando no tapete da sala porque não é a mãe deles. Não consigo rir dessas coisas e rezo todo dia para que esta doença não atinja ninguém de minha família. Mas de qualquer maneira, o filme é muito bom sim e o melhor dele é o seu final e sua protagonista. Que bela atriz.

708
24/10 - sexta-feira22:00
Cinemark - Shopping Eldorado
1188
30/10 - quinta-feira17:20
Reserva Cultural Sala 1



A Floresta dos Lamentos

Shigeki sofre de uma demência senil e vive num pequeno e tranqüilo asilo ao lado de uma vasta floresta. Apegado à memória de sua esposa morta, Mako, escreve longas cartas a ela, como testemunho silencioso de seu eterno amor. Mas agora o 33º aniversário da morte de Mako está se aproximando e de acordo com a crença dos budistas japoneses, isto significa que sua alma deve viajar para a terra do Buda. Chegou a hora da separação. Machiko é uma jovem enfermeira que perdeu o filho recentemente e, apesar de ainda estar lidando mal com a perda, parece devotar especial atenção a Shigeki. Um passeio frustrado acaba levando a enfermeira e o velho à floresta onde, através de um jogo de fuga e perseguição, perdem suas identidades para depois resgatá-las e defini-las. O mais fraco torna-se o mais forte, quem cuida será cuidado.

França/Japão, 2007
Direção: Naomi Kawase

Mais um belo exemplar do cinema japonês presente na Mostra deste ano. Um filme delicado que aborda a linda filosofia da religião budista. O que é estar vivo? Como sei que estou vivo? Comer gohan (arroz em japonês) é o 1° sinal de que você está vivo. Você come gohan? O 2°, vêm das sensações pelas quais passamos, como um abraço de um amigo diria o mestre para o protagonista que por 33 anos esteve de luto. Ao chegar na floresta, ele consegue se despedir de sua amada esposa que está partindo para a terra de Buda. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2007. Um lindo filme.

1109
29/10 - quarta-feira 15:10
Reserva Cultural Sala 1
1192
30/10 - quinta-feira 15:50
CineSesc

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Varsóvia Sombria


Varsóvia, noite, um clube perto do rio. Ojka, jovem e bonita prostituta corre pelo estacionamento. O gordo Wolski, experiente político a segue, atraído pelo seu charme. Ninguém percebe que Ojka é apenas uma isca e que Wolski caminha para a morte... É o começo do filme com o estudo dos estranhos relacionamentos entre vários elementos. O filme revela uma nova e ainda complicada realidade polonesa. Diversos personagens interessantes surgem na tela, tornando o filme vívido e real. É uma história de amor universal, profunda e arrebatadora. Também descreve uma jornada que começa na total escuridão e no fim traz um fio de esperança.

Polônia, 2008
Direção: Christopher Doyle


Neste seu 2° filme como diretor, o colaborador assíduo de Wong Kar-Wai nos apresenta um filme um tanto "sombrio". O filme começa bem, mas acho que se perde do meio para o fim. Uma mistura de policial com filme de arte que não sabe muito bem que rumo seguir. Difícil sair da sala com uma conclusão. O comentário de um conhecido que encontrei após a sessão define bem a impressão que tive: - Não sei aonde cheguei ... De qualquer maneira está longe de ser um filme ruim. Mas uma coisa tenho certeza: - A trilha é excelente. As canções de Cat Power e PJ Harvey caíram como uma luva para a película de Doyle.

867
26/10 - domingo 21:00
Espaço Unibanco Augusta 3


Machan

Para o barman Manoj, a recusa de mais um pedido de visto significa o fim do sonho de viver e trabalhar no Ocidente; para o seu amigo de toda vida, o vendedor de frutas Stanley, que está afundado em devastadoras dívidas e ainda precisa cuidar de tias loucas e um irmão mais novo, a recusa aponta o caminho da vida do crime. Com os espíritos deteriorados, o convite para um torneio de handebol na Bavária aparece como um presente dos deuses, mesmo que eles não saibam exatamente que esporte é esse.


Sri Lanka/Itália/Alemanha, 2008
Direção: Uberto Pasolini

Mais uma bela surpresa desta 32° Mostra. Taí uma amostra de como os filmes que tratam das mazelas do 3° Mundo podem ser filmados de maneira original sem o peso e drama que nossos diretores tupiniquins expõem em suas películas. Uma excelente estréia na direção de Pasolini que é um produtor rodado. Direção firme e delicada sobre uma história verídica. Pode incluir na sua programação sem medo de ser feliz.


777
25/10 - sábado19:20
Espaço Unibanco Augusta 3

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Fronteira da Alvorada

Carole é uma solitária estrela de cinema. Seu marido trabalha em Hollywood e a rejeita. Surge um fotógrafo, François, e os dois se tornam amantes. Eles começam a se encontrar sempre no hotel onde François realiza as suas sessões de fotos e se encontram no apartamento de Carole de vez em quando.



França, 2008
Direção: Philippe Garrel


Este é daqueles filmes como bem disse meu amigo Daniel, que não é possível concluir muita coisa logo que chega ao fim. Vou dar minha opinião agora, mas pode ser que ela mude amanhã. O filme é cheio de altos e baixos. Em alguns momentos achei os diálogos sensacionais, em outros, como a parte fantamasgórica, confesso que beira a bizarrice. A conclusão da película ... É no mínimo estranha, mas com certeza inesperada. Pretensioso também em alguns momentos. Hoje eu daria um 3 para o filme, mas talvez acorde achando que ele merecia um 5. Mas somente pela bela fotografia pb e a presença de Louis Garrel, filho do diretor, já são motivos suficientes para dedicar alguns minutos de sua vida. Sem contar a dúvida que perdurará em sua mente para chegar à alguma conclusão sobre a qualidade da fita. Loucuras de amor! Somente um protesto: Adoro o trabalho de Louis Garrel, mas será o benedito! O homem parece sempre interpretar o mesmo personagem, o que ele faz muito bem, mas seria legal dar uma variada. "Em Paris", "Canções de Amor", "Os Sonhadores" ... Seu eterno François já está começando a enjoar. Do mesmo diretor de "Amantes Constantes". Bom , muito bom ou excelente? No mínimo bom.


784 25/10 - Sábado 21: 50 Reserva Cultural sala 1

854 26/10 - Domingo 14:20 Cine Bombril sala 1

1023 28/10 - Terça-feira 14:30 Reserva Cultural sala 1

Sonata de Tóquio

O retrato de uma família japonesa contemporânea, aparentemente comum. Visto do lado de fora, tudo é normal como sempre foi. No entanto, o pai repentinamente perde o emprego e esconde o fato da família; o filho mais velho, que freqüenta a faculdade, raramente aparece em casa; o filho mais jovem faz aulas de piano sem contar nada aos pais; e a mãe, que lá no fundo sabe que seu papel é manter a família unida, não tem ânimo para fazê-lo. De alguma maneira, uma ruptura aconteceu nessa família e vai, silenciosa e rapidamente, desintegrá-la.

Japão/Holanda/Hong Kong, 2008
Direção: Kiyoshi Kurosawa

O tema não é novidade, mas a maneira como Kiyoshi (que não é parente do mestre) filma o cotidiano de uma típica família japonesa é arrebatadora. Uma ácida crítica à sociedade extremamente machista do Japão. O orgulho ferido por não conseguir suportar o fracasso, o medo de ser rejeitado e como recomeçar são os temas deste belo filme. Sei bem como é difícil para o povo nipônico demonstrar afeto e carinho, uma vez que meus avós paternos eram japoneses. Nesta família cheia de traumas, todos seus membros estão querendo fugir, cada um à sua maneira, mas no fundo, pelo mesmo motivo. Mas todos têm direito a uma segunda chance e desta vez eles vão tentar fazer as coisas da maneira correta. Muito Bom.


Torça para voltar na repescagem.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Alexandra

Basicamente um conto sobre a avó que vai visitar o neto, um capitão do exército russo, em serviço na Chechênia. Entretanto, o sujeito de Sokurov não é apenas a Chechênia, mas sim todas as guerras e uma reflexão sobre as feridas psíquicas geradas pelos conflitos. Sustentando um nome que evoca uma antiga civilização, a determinada Alexandra viaja para Grosny para visitar o neto de 27 anos de idade, Dennis, que ela não vê há sete anos. No passeio pela base são atormentados pelo calor opressivo e pela violência. O quartel é apresentado pelo ponto-de-vista da mulher. Com um novo olhar, ela observa a rotina dos soldados e as maquinações numa guerra sem fim.

Rússia, 2007
Direção: Alexander Sokurov


(Suspiro). Nada como um filme após o outro. Após o trauma de "Tony Manero", eu sabia que a sessão seguinte seria a salvadora para eu não ter pesadelos na hora de dormir.
Sokurov, mesmo diretor de "Moloch", mais uma vez nos presenteia com uma aula de como o Cinema deve ser feito. Que belo filme!
Belo roteiro, uma atriz excepcional, silêncios na hora certa e diálogos arrebatadores. E a fotografia ... Que linda fotografia. Poderia ter visto 2 bombas anteriormente, o que não foi o caso, que "Alexandra" me salvaria de qualquer tormento.
Um filme de Guerra, onde não existe luta, sangue, nem morte. Somente a morte psicológica de seus jovens soldados que se encantam pela presença quase mística da protagonista.
Taí o meu primeiro 5 da Mostra de 2008. Com louvor. Lindo!


811
25/10 - sábado14:30
Espaço Unibanco Pompéia 10

Tony Manero


Em meio ao contexto social da ditadura de Pinochet, Raúl Peralta, um homem na faixa dos 50 anos de idade, é obcecado pela idéia de personificar “Tony Manero”, o personagem de John Travolta no filme Os Embalos de Sábado à Noite. Raúl lidera um pequeno grupo de dançarinos, que regularmente se apresenta num bar da periferia. Todo sábado à noite, ele libera sua paixão pelas músicas do filme imitando seu ídolo. Seu sonho de ser reconhecido como um bem-sucedido astro do showbiz está prestes a se tornar realidade quando a emissora nacional de TV anuncia um concurso de imitadores de “Tony Manero”. Sua ansiedade em reproduzir o ídolo o leva a cometer uma série de crimes e furtos. Ao mesmo tempo, seus parceiros de dança, que estão envolvidos em atividades contra o regime, são perseguidos pela polícia secreta do governo. Tony Manero é uma história de perda de identidade e de obsessão na história recente do Chile.

Chile/Brasil, 2008
Direção: Pablo Larraín

Confesso que tenho pensado seriamente em criar um tópico dedicado exclusivamente as "bombas" que a Mostra nos reserva.
Se você é igual eu que prefere explorar as sessões de filmes desconhecidos e que dificilmente estrearão no circuito nacional, com certeza já se deparou com algumas bombas.
"Tony Manero" é uma super bomba! Roteiro tenebroso e direção idem. Quem frequenta a Mostra sabe que as sinopses não costumam colaborar, mas são tantos filmes que confesso que nessa correria elas são as únicas fontes. E vambora. Filme do Sri Lanka? É esse mesmo! Da Esbórnia?? Tô nessa hahaha. É praticamente uma roleta russa. Mas eu gosto demais desse espírito "aventureiro" da Mostra. O filme é pertubado, os personagens terríveis, com direito à cenas escatológicas enfim, FUJA! MAS VEJA BEM. Essa é a minha humilde opinião. Todos nós sabemos também que na Mostra tem gosto para tudo. Então, eu gostaria muito que alguém que assistiu ou vai assistir, desse sua opinião por aqui. Quem sabe não revejo minha impressão.
Tá feita minha boa ação para os cinéfilos da Mostra que eu sei muito bem, prezam o pouco tempo que tem disponível para conferir tantas produções. Não perca o seu com este filme.


350
20/10 - segunda-feira 19:20
Espaço Unibanco Pompéia 10
387
21/10 - terça-feira 14:00
Cinemateca - sala BNDES
1074
29/10 - quarta-feira 14:40
Unibanco Arteplex 3