segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Estranhos

Seis dias das vidas de Eyal, um israelense que vive num kibutz, e de Rana, uma palestina que vive em Paris. Eles se conhecem casualmente no metrô de Berlim, durante as finais da Copa do Mundo. A vida dos dois vai mudar completamente. Eyal, que está lá para encontrar uma namorada e Rana, que está lá para torcer pelo time francês, são forçados a dividir um apartamento e passam três intensos dias juntos. No auge dessa convivência, estreita-se a relação e eles se apaixonam. No final do jogo, Rana é obrigada a deixar Eyal, que retorna a Berlim sozinho. As coisas ficam complicadas quando rompe a guerra Israel-Líbano e Eyal, cheio de esperanças, resolve procurar por Rana, a despeito de tudo. Um encontro íntimo de dois estrangeiros numa estranha cidade durante a Copa do Mundo e a segunda guerra Israel-Líbano. Uma história que toca em profundas feridas, criadas por anos de conflito entre israelenses e palestinos, que a nova geração pede que se reconciliem.

Israel, 2008

Direção:Erez Tadmor, Guy Nattiv

Incompreensivelmente o cinema israelense não possue o destaque merecido. Raramente você encontra um filme deste país que não seja bom ou ótimo. Eu particularmente não me recordo de nenhum filme deste país que tenha me decepcionado."Estranhos" é mais um grande filme deste país que sofre por gerações com a eterna guerra santa.Com certeza o 1° grande filme que conferi nesta Mostra. Roteiro ótimo, atores idem e uma bela direção.Creio que o fator Guerra, que está presente na maioria dos filmes israelenses seja uma grande fonte de inspiração. Concordo que não seja a ideal, mas o sofrimento proporcionado por esta Guerra estúpida sempre nos proporciona manifestações artísticas de peso, principalemente no quesito Cinema.Costuma-se dizer que o sofrimento é um grande impulsionador da arte. Podemos citar isso na poesia, na música e claro, também no cinema. A dor, proporciona seus frutos."Estranhos" é apenas mais um exemplo da bela cinematografia pouco conhecida de Israel. Para citar apenas alguns exemplos recentes temos: "Lemon Tree", "Beaufort" e "As Coisas que o Sol Esconde", todos maravilhosos. Pode colocar no seu programa sem medo de ser feliz.

585
23/10 - quinta-feira19:50
Cine Bombril Sala 2
889
26/10 - domingo21:00
Cine TAM

domingo, 19 de outubro de 2008

Of All The Things

Dennis Lambert foi um dos produtores e compositores mais ecléticos e bem sucedidos dos anos 70 e 80, com hits como Ain’t No Woman Like The One I’ve Got, Rhinestone Cowboy, Don`t Pull Your Love, Baby Come Back, One Tin Soldier e Nightshift. Ele encabeçou listas em quase todos os gêneros de música – num dado momento, quatro de suas músicas estiveram ao mesmo tempo na lista das 100 mais da Billboard, um feito só alcançado pelos Beatles. Isso foi naquela época. Hoje, ele é um homem de família de 60 anos que trabalha como corretor de imóveis na Flórida. Mas acontece que seu álbum solo de 1972 é um grande sucesso... nas Filipinas. Há anos, um produtor de shows filipino implorava a Dennis que fizesse uma turnê por lá, e em 2007 (35 anos depois do lançamento daquele disco) ele finalmente concordou. Of All The Things é um documentário pop/rock/country/R&B hilariante e comovente que segue Dennis em sua turbulenta turnê onde ele redescobre sua paixão pela música ̶ uma aventura de duas semanas que o transporta do conforto de Boca Raton, passando pelas mais remotas ilhas das Filipinas, até um show lotado no famoso Coliseu Araneta em Manila para centenas de fãs que ele não sabia que tinha. Algumas vidas merecem bis.

EUA, 2008
Direção: Jody Lambert

Um documentário super agradável de se assistir. Um documentário justo sobre um homem que teve a oportunidade de redescobrir sua verdadeira paixão ... A música. O apoio da família que insistiu para que ele aceitasse realizar esta turnê, a adoração do povo filipino para com suas canções... Este é um fenômeno que acontece bastante aqui no Brasil, ou vocês acham que "Scorpions" e "Nazareth" lotam ginásios mundo afora como aqui? Pois é. E vale lembrar ao Sr. David Lambert, que suas músicas fizeram sucesso por aqui também e ainda são executadas. Eu mesmo me interessei em ver este documentário por conhecer algumas das músicas citadas na sinopse. Enfim, um bom programa sem muitas pretensões.

189
19/10 - domingo17:20
Unibanco Arteplex 2

318
20/10 - segunda-feira16:30

Espaço Unibanco Augusta 3







BALANÇO DO DIA - 18/10

Posso dizer que saio muito satisfeito do meu 1° de Mostra deste ano.

Foram 3 filmes, 2 documentários (muito simpáticos) e um de ficção em uma leitura totalmente particular e pessoal do diretor sobre a visita dos 3 Reis Magos ao menino Jesus.

Apesar da dificuldade deste último e de algumas ocorrências desagradáveis da 1° sessão, como um chato que insistia em reclamar da qualidade da imagem (acontece que o filme foi captado em digital e não foi feito para ser projetado em uma tela 16:9, o projecionista talvez por falta de orientação, esticou a imagem para adaptar ao tamanho da tela e claro, houve distorção resultando em uma imagem ruim, mas ainda assim totalmente acompanhável para o seguimento da fita).

Resumindo, o chato em questão conseguiu fazer a sessão parar quando faltavam 20 minutos para o fim do filme. Foi aquele burburinho e pessoas foram embora, inclusive ele, depois de constatar o tamanho da cagada, deve ter pensado: deixa eu cair fora senão vai sobrar pra mim. E ia mesmo hahaha. Eu tava logo atrás dele.

Mas quem frequenta a Mostra sabe que os imprevistos e os "chatos" fazem parte do programa. O negócio é relaxar e curtir a viagem. Isso mesmo. Onde mais você pode em somente um dia estar as 14:00 na índia, as 16:30 com os 3 Reis Magos e as 19:10 nas Filipinas? Só na Mostra meu caro, só na Mostra!

32° Mostra Internacional de Cinema de SP

Foi dada a largada cinéfilos de Sampa City. As duas semanas mais aguardas por todos nós começa hoje. Será uma verdadeira maratona de noites mal dormidas e refeições esporádicas. Todo sacrifício é válido para mergulhar fundo neste universo de fantasia que os próximos dias nos proporcionarão. Já garantiu seu passaporte da alegria? Então corra e deleite-se!!!

Ontem fui buscar na Central da Mostra meus primeiros ingressos e não vejo a hora de começar a maratona. Viva a Mostra!!! Te vejo na sala escura. Minha programação para os próximos dias é:

Dia 18/10 - Sábado

- Bolo de Bota

- O Canto dos Pássaros

- Off all the Things

Dia 19/10 - Domingo

- Estranhos

- Tony Manero

- Alexandra

Dia 20/10 - Segunda-Feira

- Sonata de Tóquio

- A Fronteira da Alvorada

Vamos ver o que me aguarda.

sábado, 18 de outubro de 2008

Bolo de Bota



A pequena e deserta cidade é famosa por abrigar a maior população do mundo de imitadores de Charlie Chaplin. O Círculo Charlie de Adipur atrai homens de negócios, lojistas, um médico que prescreve filmes de Chaplin com objetivo medicinal, professores, engenheiros, estudantes e até crianças pré-escolares de três anos de idade. Eles dividem a paixão pelo astro de filmes silenciosos, com sua bengala giratória, seu andar instável e suas agitadas sobrancelhas. A premiada cineasta australiana Kathryn Millard desviou de seu tema ao cruzar o brilhante Círculo Charlie, durante pesquisa para seu projeto cinematográfico. Foi convidada para se juntar a eles nas celebrações dos 116 anos de Chaplin, o que incluía a parada dos semelhantes a Charlie pela cidade, com garotas dançarinas, carros alegóricos, músicos ambulantes e um camelo. O que ela poderia ter a honra de levar para colocar no centro da mesa: o bolo de aniversário? E não um bolo qualquer, mas sim um com formato de bota, como homenagem à famosa cena de Em Busca do Ouro, no qual o faminto Tramp cozinha e come sua própria bota. Encontramos o fanático mestre de cerimônias: Dr. Aswani, o fundador do Círculo Charlie; Kamal Hassan, o grande astro de Tollywood e Bollywood; Viswajeet, o jovem aspirante a ator e Prevan, o urbano de Mumbai. Nós refletimos sobre a repercussão espiritual sentida por muitas pessoas que batalham com seus bigodes postiços e largas calças.

Austrália/Índia, 2008
Direção: Kathryn Millard


Onde mais Charlie Chaplin poderia ser devotado como um santo a não ser na colorida e simpática Índia? Em Bombaim, a comemoração do aniversário de Chaplin é um super evento que reúne apaixonados e imitadores da lenda do cinema. A explicação para tamanha devoção, nas palavras dos próprios indianos, deve-se ao fato de talvez a Índia ter sido considerada por muito tempo, o país "vagabundo" do mundo. Deixemos as explicações de lado. O documentário é hilário. Imagina 15 Chaplins mirins e mais alguns adultos todos reunidos para a festa. O organizador do evento, que tem um altar com a imagem do mesmo e acende incensos para ele como se fosse uma divindade, diz que se sente possuído pela alma do velho bigodinho quando fantasia-se. Os outros 2 imitadores também têm a mesma sensação e um deles inclusive, diz que deve sua vida ao ídolo. Um documentário leve, gostoso e que proporciona boas risadas. A surpresa do dia.


895
26/10 - domingo14:30
Espaço Unibanco Pompéia 1
1106
29/10 - quarta-feira21:00
Espaço Unibanco Augusta 3















sexta-feira, 17 de outubro de 2008

LINHA DE PASSE


Brasil, 2008
Direção: Walter Salles e Daniela Thomas

Taí mais um belo trabalho desta dupla muito talentosa de diretores. Com certeza, "Linha de Passe" estará nas listas dos melhores filmes nacionais de 2008.

Sandra Corveloni, vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes interpreta Cleuza, doméstica e mãe viúva de 4 rebentos. Três jovens e uma criança muito bem interpretada pela revelação mirim Kaique Jesus. Temos ainda Vinicius de Oliveira, o Josué de "Central do Brasil", bem grandinho no papel de Dario, personagem que pretende ser jogador de futebol mas não consegue passar nas peneiras por já ter 18 anos, idade considerada avançada para a entrada de um atleta nos clubes. Temos ainda, Dinho, o frentista evangélico e Dênis, o motoboy sem personalidade. Reginaldo, o pequeno interpretado por Kaique, é o único dos irmãos que possue um pai diferente, fruto de uma relação que Cleuza não guarda boas lembranças, logo, Reginaldo não faz idéia de quem seja ou quem foi seu progenitor e vive questionando a mãe sobre o mesmo. Cleuza por sua vez, trabalha de doméstica e cria os filhos sozinha. Está longe de ser a mãe perfeita, mas traz em seu rosto sofrido, as amarguras enfrentadas no decorrer de sua vida.

Walter e Daniela conseguiram captar como ninguém através de sua lente a essência da "paulicéia desvairada". Um outro lado que parece sempre caminhar à margem da realidade, uma realidade que não interessa para a classe média alta paulistana. Ou me diga: O que você sabe da pessoa que vai toda semana limpar sua casa além de seu nome? É verdade, preferimos não nos envolver muito. Walter e Daniela nos proporcionam um retrato fidedigno desta faceta ignorada por nós que temos a oportunidade de destinarmos um pouco de nossa renda para diversão. Isto fica bem claro quando o filho da patroa de Cleuza convida Dario para jogar pelo seu time do condomínio em que vive. As diferenças extremas e os objetivos totalmente opostos são muito bem apresentados ao público.

Trata-se do perfil de 5 vidas que fazem parte do nosso cotidiano mas que sempre caminham à margem do desprezo. Quando Dario recebe mais uma recusa em uma das tantas peneiras que participou e vê-se desolado no centro da cidade observando vagas de empregos. Estaria decretado o fim de seu sonho? E Dinho, o personagem que virou evangélico e tenta ser um bom rapaz, mas que vê todo seu sacrifício e devoção questionados quando é tratado como marginal. Dênis, o motoboy, rapaz inconsequente que tenta fazer tudo da melhor maneira para agradar as pessoas que o circundam, mas talvez por falta de orientação sempre escolhe o caminho errado. E o pequeno Reginaldo que fantasia no motorista do ônibus de todo dia o que poderia ser o seu pai. E no centro de todas essas vidas sofridas e maltratadas está Cleuza, a mais amargurada de todas. Uma mulher forte, decidida e muito correta. Tão correta que chega a cometer injustiças com os próprios filhos com medo de que enveredem por um caminho errôneo.

Lembra quando você era mais jovem e voltava para casa da balada já com o dia amanhecendo? No caminho de volta você avistava várias pessoas indo trabalhar enquanto você estava indo dormir, depois de gastar em uma noite o que eles levam uma semana para ganhar? Pois bem, "Linha de Passe" nos apresenta a realidade destas pessoas. A realidade da pessoa que está ao mesmo tempo tão longe e tão perto de você. Cleuzas e Almerindas existem aos milhares e tudo que elas querem é deixar um bom legado para suas crias e evitar que elas optem pelo caminho errado. Na vida que levam, um fio tênue separa esta escolha. Não existe muita opção para eles. Vai depender do caráter de quem os criou.

Jovens em busca de seus sonhos, de uma vida digna, mas que por crueldade da realidade em que vivem, perguntam-se a todo momento se vale à pena ser bonzinho neste Brasil sem escrúpulos.

E após tanta injustiça, realidade e sofrimento, o fim escapista não poderia ter sido melhor. Deixar o menino Reginaldo dirigir um ônibus pelas ruas de São Paulo foi uma idéia brilhante para tentar neutralizar a dureza do dia-a-dia e ficarmos com aquele tiquinho de esperanças de que nem tudo está perdido.

Direção imponente, atores no ápice da interpretação e um roteiro muito bem costurado, fazem de "Linha de Passe" uma das melhores surpresas dos lançamentos nacionais de 2008. Ótimo!





quarta-feira, 8 de outubro de 2008

SHORTBUS


EUA, 2006
Direção: John Cameron Mitchell

Podemos descrever este filme como um "SURUBÃO CULTURAL" contra a depressão de seus personagens. Em Nova Iorque, (onde mais poderia) pessoas se reúnem em um inferninho chamado "Shortbus" para se liberarem de todos seus pudores através de saraus com poesia, cinema, música e muito sexo. Imagina o elenco de "Hair" trepando como naquela famosa cena do polêmico "CALÍGULA". Esta frase resume boa parte do filme. O resto é enrolação pra mostrar a libertinagem do diretor. É mulher com mulher, mulher com homem, homem com homem, mulher com travesti, masturbações bizarras, vixi, um verdadeiro circo da putaria hahaha, um por todos e todos por um!

Sexo no cinema nunca foi novidade. Nú frontal masculino tampouco. Posso citar aqui vários filmes, mas lembro de um em especial, aliás, o filme que deu origem à este blog. "9 Songs". Este filme conta a história de amor entre um casal. Até aí nada mais comum. A única diferença é que o sexo filmado é praticamente explícito, praticamente não, é explícito. O filme é o casal transando e o casal em shows de bandas como "Primal Screen" e "Franz Ferdinand", daí o nome "9 Canções". Mas o jeito como é filmado com o acréscimo da música, torna-se algo delicado e até poético. Tem ainda a famosa cena da manteiga com Marlon Brando em "O Último Tango em Paris". Enfim, só escrevo tudo isso, para dizer que nada mais choca. Se o sexo fosse necessário para a trama, se a exposição de falos gozando à rodo fosse essencial para o desenvolvimento do roteiro, maravilha, sem problemas. Mas aqui o diretor faz o contrário. Utiliza-se dos dilemas mais clichês da sociedade moderna, criando uma trama fraca apenas para mostrar seu bacanal de luxo.

Uma das poucas coisas que se salvam neste filme são os personagens. Uma Dominatrix deprimida porque nunca conseguiu uma relação séria. Uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. O casal homo em crise. O voyeur psicopata e por aí vai. Trata-se de um prato cheio para desenvolver um belo roteiro. No entanto, a única coisa que eles fazem, é trepar.

Por favor, não me entenda mal. Não é questão de moralismo. Longe disso, credo, saravá! Mas fica evidente que o importante aqui não é o cinema. Tipo, vamos inventar um historinha básica com atores bonitinhos e uma fotografia legal e mudérrna que já ta bom. E dá-lhe sexo! Vamos chocar, criar polêmica e algazarra! Devem ter pensado os produtores. PORRA, um filme que mostra um cara tentando chupar o próprio pau e não contente mostra o mesmo cara gozando na própria boca e ainda não satisfeito, o mesmo cara esta filmando tudo para seu filme de amor que ele está preparando para o namorado que ele não ama mais!!??! É óoooobvio que uma cena bizarra destas vai gerar publicidade e burburinho, ainda mais quando gratuita. E toda essa bizarrice fez com que este filme tivesse sessões lotadas na última Mostra de São Paulo, que aliás, eu amo e já vai começar. Mas confesso que alguns dos piores filmes que conferi na minha vida, foram presentes da Mostra. Sempre tem alguma bomba, vamos ver as deste ano hehehe. Voltando ao assunto, mais da metade de suas cenas de sexo explícito são desnecessárias. Não acrescentam nada.

Um filme desnessário que nunca teve grandes pretensões a não ser criar polêmica. E pior que nem isso eles conseguiram. Não odiei o filme não. Meu sentimento é pior: O de total descaso. Que perda de tempo...




segunda-feira, 29 de setembro de 2008

FUERZABRUTA


Concepção: Diqui James e Gaby Kerpel
Direção: Diqui James
Direção Musical: Gaby Kerpel

Dos mesmos criadores do sensacional "De La Guarda", aterrisa em Sampa City "Fuerzabruta", a mais nova viagem de nossos hermanos argentinos que sabem entreter a platéia como ninguém.

Pode ter certeza de que tudo o que você presenciará será inédito. Seus espetáculos mexem com todos os sentidos do ser humano. É realmente uma loucuuuura jejeje (risada virtual em espanhol).

A começar pela excelente estrutura montada no Parque Villa Lobos, que aliás diga-se de passagem, já mostrou-se um excelente espaço para estes eventos. O local é isolado, enorme e ainda conta com um belo estacionamento gratuito. A tenda armada pela trupe argentina conta com 3 lounges (1 ao ar livre) e 1 bar central, além dos restaurantes "Piolá" e "Shimo" para os esfomeados. Nota 10 para a produça!

O espetáculo dura cerca de 70 minutos e durante todo este tempo a platéia permanece em pé e andando de um lado para o outro. Isso mesmo, o trabalho sensorial do grupo é apresentado logo de início. Você nunca sabe de onde virá o próximo cenário e atração. Será do alto? Da frente? Monitores indicam o caminho a ser percorrido.

O show começa com um rapaz correndo frenéticamente em um tipo de esteira contra todas as interpéries produzidas artificialmente como vento, chuva e sujeira. Está instalado o caos e é isso que os hermanos querem proporcionar a platéia. Um espetáculo diferente e orgânico que desperte todos os sentidos do ser humano. O show é uma balada. Em dado momento os integrantes da trupe descem para interagir com a platéia e fazem todos dançar e pular loucamente com um DJ borrifando água para quem quiser dar uma refrescada. Aliás, dizem que você pode sair sujo e molhado; besteira. Sujo, quer dizer, com alguns pedaços de isopor grudados pelo corpo e o banho é totalmente opcional. Para quem estiver com calor ou dominado pelo espírito do espetáculo pode se enfiar embaixo da cachoeira que deságua em certo momento do show.

A parte mais surreal é quando uma piscina desce até sua cabeça e nela as moças da trupe fazem coreografias sob a água. LOUCO! Você pode tocar o cenário (com cuidado é claro) e interagir com as performers que dão saltos incríveis.

É difícil transmitir os sentimentos provocados por "Fuerzabruta", você tem que conferir com seus próprios sentidos. Mas tenha certeza de uma coisa: É muito bom e diferente de tudo que você já presenciou, a não ser que você tenha visto "De La Guarda". Impossível alguém não curtir e não se divertir, quer dizer, nada é impossível né, mas garanto que pelo menos 90% das pessoas saem pedindo bis. Uma experiência sensorial indescritiva. Divertidissíma e maravilhosa. Você sai de alma lavada. Literalmente se esta for a sua vontade. DUCARAIO!





UNIVERSO UMBIGO


Com: Cia Fractais e Karnak
Roteiro e Direção: Marcelo Castro e André Abujamra

Assim que tomei conhecimento da nova empreitada do Karnak fiquei excitadíssimo e sabia que tratava-se de algo impedível para quem vem acompanhando o grupo no decorrer dos últimos ... 15 anos pelo menos? Quer dizer, antes de ser fã do Karnak, já acompanhava o trabalho de André com o Maurício Pereira no saudoso "Mulheres Negras". Sem contar seu pai, o velho Abu que também admiro bastante, ou seja, o talento está no dna da família.

Se fosse somente um show do Karnak já valeria a pena conferir, agora, Karnak ilustrado pelo grupo Fractais, parecia algo perfeito demais. A música universal do Karnak combina muito com o universo do circo, eles mesmos, os integrantes, são todos palhaços. O André quando encarna seus personagens falando uma língua que parece la da Sbórnia é comédia pura. O baixinho e toca muito Hugo Hori, o cabelinho ... São todos seres humanos que beiram a genialidade.

Se o show deles não fosse tão bom, confesso que sairia desapontado. A participação do Fractais é totalmente desnecessária, quer dizer, não acrescenta nada. Os números circenses são básicos demais. As coreografias ... bem, se eles fossem dançarinos não estariam no circo não é mesmo e as poucas partes em que se exige um mínimo de interpretação dramática, também são bem fraquinhos.

A interatividade com o público também está presente, aliás, parece que é moda fazer o povo pagar mico. E lá vai todo mundo para o palco dançar e sacolejar.
Mas quer saber, o Karnak por si só é tão bom que você nem se preocupa com o resto. Adoro circo, mas eu acho que eles perderam uma ótima oportunidade de fazer algo mais elaborado para acompanhar a genialidade da trupe de André.

Vale muito a pena pelo Karnak. A novidade Fractais no espetáculo, faz com que não seja somente um show de música e consequentemente, a platéia tenha que ficar sentada, afinal, tudo acontece no Teatro, mas na minha modesta opinião, seria muito melhor deixar o circo de lado e realizar um show nos moldes tradicionais onde poderíamos dançar à vontade, uma vez que a tentativa de acrescentar estímulos visuais por parte dos Fractais não funcionou muito bem. Mesmo assim vale muito a pena. Vida longa ao Karnak e lembre-se: - "ALMA NÃO TEM COR".





terça-feira, 9 de setembro de 2008

NOME PRÓPRIO


Brasil, 2007
Direção: Murilo Salles

Estava muito curioso para conferir este filme, mais pela atriz que admiro desde seu trabalho em "A Ostra e o Vento" do que pelo tema em si.

"Nome Próprio" conta a história de Camila, uma jovem caótica que vêm para São Paulo em busca de seus sonhos como tantos outros emigrantes. Blogueira ativa, ela tem como principal meta escrever um livro que é adiado a todo momento. No entanto, seu Blog é atualizado constantemente divagando sobre seu dia-a-dia, suas paixões frustradas, traições, crenças e a paixão pela poesia. Enfim, um tema mais que atual em tempos de web 2.0 e a exposição deliberada proporcionada pela Internet.

O filme que se passa em São Paulo, nos apresenta a história daquela que poderia muito bem ser sua melhor amiga. Todos conhecemos ou já nos deparamos com alguma "Camila", quero dizer, uma personagem muito comum na nossa paulicéia desvairada. É muito legal ver sua cidade natal na tela, principalmente quando suas locações fazem parte de seu cotidiano.

Recentemente estive visitando alguns apartamentos na região oeste, mais precisamente em Perdizes e pude conferir vários similares as moradias de Camila. Muitos de meus amigos moram na região e claramente a Camila poderia ser nossa vizinha, além de frequentar lugares em comum. O velho "Filial", bar na Vila Madalena aparece no filme. O "Milo Garage", a " Casa Belfiore", ou o popular "CB" se preferir também estão lá. Ela aparece até curtindo, mais ou menos, um jogo do verdão em pleno "Palestra Itália". Poxa, ela tá na minha quebrada rs.

Esta proximidade com o público causa certa simpatia, mas o filme não decola. Ponto para sua experimentação, o resgate da poesia pelo Blog da personagem e o retrato de uma geração constantemente on-line. As referência literárias não poderiam faltar em tratando-se de uma personagem aspirante à escritora. E dá-lhe Leminski e Bukowski.

Camila é auto-destruidora por natureza. Ela não consegue ser feliz 100%. Quando tudo parece bem, ela apronta ou aprontam para ela. Vive tomando anfetamina pra ficar ligadona, aliás, sua dieta baseia-se em anfetamina, cerveja e cigarro. Muitos cigarros. Ela procura o caos e quando não procura, o atrai. Se apaixona pelos caras errados e possue uma enorme vocação para o sofrimento, o que já é meio caminho andado para se dar bem no mundo das letras.

Conheci algumas Camilas na minha vida, sem dever nada à personagem de Leandra Leal. Na verdade, elas são muito carentes. Querem amar e serem amadas, um relacionamento estável, mas basta uma faísca para pegarem fogo e colocarem tudo à perder. Vivem por impulso e só medem as consequências depois que a cagada está feita. São daquelas pessoas que vivem minuto após minuto, não que eu descorde. Para mim, o que ficou para trás não volta e eu quero mais é viver meu presente, sem vislumbrar o futuro, mas tudo tem sua medida certa e cabe a você, designar a dose. Camila é 8/80, e assim vai tocando sua vida caótica, o que com certeza, lhe renderá um belo livro. Muito melhor que o roteiro deste filme.

Como já esperava, o filme é 100% Leandra Leal e este lhe proporcionou a oportunidade de explorar todo seu talento dramático. Por ela, vale muito. Pelo filme em si ... Acho que não. Mesmo porque, essa história, muitos de nós já presenciamos pessoalmente, seja através de uma amiga ou de uma namorada. Infelizmente, nada de novo em um filme que aborda um universo tão recente. Mas vale para conferir uma atriz no seu ápice interpretativo, mesmo que o roteiro não colabore.





ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO


Brasi, 2008
Direção: José Mojica Marins

Na minha época de faculdade, lá pelos idos de 2000, realizei um trabalho sobre o Cinema Trash, nacional e internacional, e claro, Zé do Caixão não poderia ficar de fora. Vi todos seus filmes na época, além de visitá-lo em seu QG no Ipiranga, onde fui muito bem recebido. O homem é uma lenda e como acontece bastante com alguns de nossos talentos, muito mais reconhecido no exterior do que em seu próprio país. Lá fora ele é o famoso "Coffin Joe", com direito a caixa com sua filmografia completa em forma de ... caixão é claro.

Após 40 anos!, pois é, o Cinema no Brasil funciona assim, Zé do Caixão consegue concluir sua trilogia sobre a procura da mulher que irá gerar o seu filho perfeito. Desta vez Zé teve toda a estrutura disponível para realizar um Trash Chic. Produzido pela "Olhos de Cão" e pelos extremamente profissionais irmãos Gullane, Zé do Caixão teve a sua disposição o que há de melhor e mais moderno atualmente para encerrar sua triologia.

O roteiro é ótimo para o gênero. A produção impecável. Os atores principais estão excelentes. As participações de Jece Valadão e Adriano Stuart são impagáveis, afinal, um bom trash necessariamente está na fronteira com a comédia, o famoso "TERRIR". A participação de Milhem Cortaz como o padre que o persegue também é muito boa, aliás, impossível não se lembrar do padre do chocho " Código Da Vinci" que se auto-flagelava, guardada as devidas proporções claro, pois o padre de Milhem é muito melhor. Junte a tudo isso, belas mulheres que rodeiam o homem da cartola preta, seus servos super caricatos, muito sangue cenográfico e uma produção de arte impecável. Pra completar, José Mojica após 40 anos, é um ator muito melhor e nem seus erros de português aparecem na película. Impossível não deleitar-se com seus olhos esbugalhados ao ter visões do além. Muito Bom.

A última coisa que você sentirá ao ver este filme é medo. Talvez você sinta um pouco de nojo, mas no geral, o filme é muito agrádável de se acompanhar, acredite. Eu sai do cinema imaginando como uma série inspirada nas sandices de Zé do Caixão faria sucesso. Imagino um programa, de uma hora de duração, para passar toda sexta à meia-noite.

O universo deste homem é infinito. Seus personagens excelentes. As ciganas, o padre louco, os servos, os policiais, o zelador do Limbo na pele do outro doido José Celso Martinez Corrêa, as lindas mulheres e sangue, muito sangue. Para complementar, uma trilha sonora com "Sepultura", "Rob Zombie", "Ozzy", putz, se eu fosse adolescente iria adorar ... Pra falar a verdade, mesmo com 30 eu adoraria hahaha. Gastaram dinheiro para fazer aquela produção tosca da Tiazinha heroína na Band e nossos verdadeiros mestres, à deriva, esperando uma oportunidade.

O cinema de Zé do Caixão pode não ser cabeça, tampouco requintado, mas é feito com paixão e fibra! Aliás, esse homem é um guerreiro. Nunca esperou ajuda de ninguém para fazer seus filmes. Conseguir terminar sua trilogia 40 anos após o último filme é um ato de heroísmo. Ele passou por cima de todas as barreiras ridículas que nossa sociedade tupiniquim impõe. Primeiro, ele faz cinema. Segundo, sempre foi taxado de brega e louco. Terceiro, já passou dos 70. Para uma sociedade onde pessoas de 40, 50 são consideradas velhas para produzirem, Zé do Caixão mostrou mais uma vez porque é tão celebrado no exterior e mandou uma bela banana para os críticos que se acham acima do bem e do mal neste país.

O filme diverte e entretêm. Tem uma produção excepcional, produção esta que Mojica nunca teve em suas mãos e ainda foi convidado para ser exibido no "Festival de Veneza", onde foi muito bem recebido. Pasmem pequenos burgueses intelectuais filosóficos. O homem da Cartola, humilde, que fala "púbrico", chegou lá e deixou sua marca para sempre no nosso cinema, queiram vocês ... ou não. Vida longa à Zé do Caixão, este sim, um verdadeiro apaixonado pelo que faz, um guerreiro do cinema nacional!