terça-feira, 7 de março de 2006

Crash



EUA/Alemanha, 2004
Direção: Paul Haggis

O azarão do Oscar 2006, ou será que os conservadores da Academia não aguentaram a idèia de premiar um filme GAY?!!!! Pois é, na verdade, em minha opinião, eu acho que nem Crash, nem Brokeback eram dignos de levar a estatueta de melhor filme, meu favorito sempre foi Boa noite, Boa Sorte, mas depois falamos disso.

Crash é um filme de roteiro polêmico e político, ponto para ele. O filme trata da conviência de diversas etnias na cidade de Los Angeles, logo o racismo é o grande mote da película.
Simpatizo com a idèia, pois meu curta também trata do racismo. Grandes astros hollywoodianos estrelam o filme, logo, nenhum se destaca. Entre eles, Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, Brendan Fraser e Terence Howard que concorreu ao Oscar de melhor ator por " Ritmo de um Sonho".
Através de acidentes automobilísticos, as diferenças surgem, dando início ao estopim que está sempre prestes a explodir devido a segregação racial, social ou religiosa. Tolerância zero. É daqueles filmes que possuem vários personagens nada a ver e que com seu desenrolar vai encaixando e ligando suas vidas e histórias. Todas elas voltadas ao racismo.
O tema é importante e já foi muitas vezes filmado, mas à maneira com que Crash trata do assunto, ao meu ver , é um pouco forçada. Situações meio que surreais e sem explicação. O ritmo do filme é bom, mas é preciso um pouco de fantasia para você entrar nele e tratando-se de um filme com um tema tão presente em nossas vidas acho que deveria ser tratado com mais realidade. Ok, é cinema.
Apesar de tudo, vale o ingresso. Qualquer forma de abordagem de assunto tão polêmico é válida para entendermos o quão ridículo é o racismo. Abominável em qualquer uma de suas formas. Valeu a tentativa, mas como espetáculo, deixa a desejar.
Melhor Filme, Roteiro Original e Montagem








Postado em 07/03/06 no O Crítico Sou Eu.

Capote



EUA/Canadá, 2005
Direção: Bennet Miller
Belo filme. Cinebiografia de Truman Capote focado em sua pesquisa para o livro " A Sangue Frio ", um clássico do novo jornalismo que foi concluído em 1966. Capote é também o autor de " Bonequinha de Luxo".


Muitos me disseram que tratava-se de um filme chato, mas como todo cinéfilo, só acredito vendo. Após o fim, chego a conclusão de que quem deve ser o chato sou eu, afinal de contas, achei o filme muito bom. Parado? Sim é parado, mas isso é critério para dizer se um filme é bom ou ruim? Acho que não. O roteiro está muito bem tramado, embora seja parado, ele desenrola bem todas as questões propostas, ao contrário de Munique, que também é um filme parado e longo, muito longo, sem necessidade.

Falar da atuação de Seymour é irrelevante, a muito tempo que ele vem mostrando seu talento, vide Magnólia, Boogie Nights ou até mesmo Happiness, onde ele faz um dos personagens mais escrotos de minha lembrança cinematográfica. E se ele consegue despertar tamanha ânsia na audiência, o cara só pode ser muito bom. E o é. Que atuação, realmente ficou pequeno para o Oscar. É claro que Capote trata-se de um personagem super interessante e rico e isto ajudou, mas o talento de Seymour é notável. Sou seu fã. Impecável.

O filme conta a história de Capote tentando relacionar-se com um criminoso que assassinara uma família inteira. Aos poucos ele vai conquistando a confiança do réu e o ajuda com advogados.


No início você acha que a ajuda é sincera, depois você percebe que trata-se de interesse, afinal, o criminoso fôra condenado à morte e insiste em não revelar à Truman o que aconteceu naquela fatídica noite, consequentemente, Truman não pode escrever seu final.


Ao final do filme, você está confuso com relação aos sentimentos de Capote para com o réu. Era por interesse? Por amor? Afinal, Capote era homossexual assumido. O que importa é que ele conseguiu o que queria, o livro tornou-se um marco e dizem até que revolucionou a maneira de escrever obras não ficcionais. Agora seu sentimento com o condenado fica no ar. Eu acho que no começo era sincero, no meio obsessão e no final ilusão.

Muito bom filme, ator espetacular e roteiro bem tramado. Demorou pra você assistir, principalmente se você for jornalista.

Melhor Ator - Philip Seymour Hoffman










Postado em 07/03/06 no O Crítico Sou Eu.

A Pantera Cor de Rosa



EUA, 2006
Direção: Shawn Levy

Pois é, na verdade eu estava curioso para ver este remake do clássico, não estava entre minhas prioridades mas gostaria de vê-lo. Eis que na véspera do Oscar, vou à Paulista na tentativa de assistir a performance de Philip Seymour Hoffman, estava chovendo, entao isso me encheu de esperanças que talvez eu fosse conseguir. Ledo engano, não sei porque insisto em tentar ir ao cinema Sábado a noite. Resumindo, para não perder a viagem, fui assistir à Pantera.
Refilmar um clássico é uma pedreira, ainda mais quando este é protagonizado por outro clássico, o comédia ou ex comédia, que Deus o tenha Peter Selles. Como este cara me divertiu em minha infância e adolêscencia. A bucha então caiu sobre Steve Martin, que na minha opinião, também é um grande comediante. Exerceu bem o papel do agente trapalhão, talvez Jim Carey o representasse melhor, mas isso é para a próxima refilmagem, quando Jim já terá seus 50 e poucos.
Não espere uma super produção ou um super roteiro, nada disso. Trata-se de uma comédia bem acima das comédias juvenis americanas. Se você era fã do Gordo e o Magro, Os 3 Patetas, saiba que o humor da Pantera segue esta linha. Inocente, simples mas muito engraçado, pastelão mesmo. O quê? Você é muito novo(a) para se lembrar destas velharias? Então lá vai um conselho: Vá atrás destas velharias para você saber como se faz humor inteligente. Ainda podemos citar o cômico Mr Bean e até mesmo o grupo Monthy Piton, ou seja, você vai rir muito. Principalmente se for homem, confesso, é um filme que agrada muito mais aos homens. Por causa da Beyoncè? Também, mas principalmente, porque somos crianças em corpo de adultos. Sua namorada vai virar pra você e dizer: - Mas que coisa mais sem graça e ridícula e você vai concordar com uma pequena diferença e um super sorriso no rosto para que ela pare de reclamar, afinal de contas é mais fácil concordar do que argumentar. Em tratando-se de mulheres é claro.
Martin não decepciona no papel de Clouseau, não é o original, mas é uma imitação bem feita, aiaiai, estes chineses hahaha. A sequência com a professora de sotaque inglês é impagável, de chorar de rir, eu quase pulei da cadeira kkkkk. " I would like a cheese burguer." Imagina Clouseau falando esta frase? Não imagine, assista e morra de rir.
Se sua companheira reclamar, não desista, espere o DVD e passe mal nem que seja sozinho. Você vai gargalhar tanto que todos por perto ficarão curiosos e irão compartilhar de sua alegria. Viva a Pantera.










Postado em 07/03/06 no O Crítico Sou Eu.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

O Segredo de Brokeback Mountain

EUA, 2005
Direção: Ang Lee

Com certeza você já ouviu falar do tão comentado e polêmico Western Gay. Pois é, Ang Lee conseguiu chamar a atenção e o fez muito bem. O filme é um sucesso mundial, embora trate de um tema ainda considerado tabu para muitos: o homossexualismo, ainda mais entre cowboys rs, não que isso seja uma novidade, se lembrarmos dos antigos faroestes que passavam na Record, lembram? e tantos outros, sempre haviam os parceiros e aquele índio nunca me enganou.

Brokeback conta a história de dois pastores modernos que são escalados para tomarem conta de ovelhas na já famosa montanha. A locação é de tirar o fôlego, junte isso a fotografia e trilha lindas e taí o cenário perfeito para o desabrochar do amor. Neste caso entre dois homens. Um deles na verdade, o personagem de Jake Gyllenhaal, ja tem características homossexuais, ele quem toma a iniciativa, porém o outro, pensava ser totalmente hetero. Pensava .... O trabalho acaba e cada um vai para seu canto. Casam, tem filhos e se encontram 4 anos depois. Esta segunda parte do filme é muito boa, pois você não espera certas reações dos personagens e o desenrolar da história também não é muito óbvio. Então o amor não tem barreiras? Acredito que não e este filme tenta passar esta mensagem. Polêmico ou não, ele dá seu recado.

Agora, confesso que esperava mais. O excesso de informação e a badalação em torno do filme criou uma expectativa perigosa. Realmente, trata-se de um belo filme, a parte técnica esta impecável, os atores também e a direção muito boa, mas falta algo ao roteiro, falta aquele toque, você sai um pouco decepcionado, pois esperava o filme perfeito ou quase. Mas vale o ingresso com certeza. Merece todo o sucesso que esta tendo, principalmente por ajudar a minimizar este tabu que não tem mais espaço nos dias de hoje, quero dizer, preconceito de nenhuma forma é bem vindo.

Ouça sua namorada, ela quer ver este filme. Mostre para ela que você é um ser evoluído por não ser homofóbico e tire suas próprias conclusões. Nem que seja pra falar mal depois.

Filme, Direção , Ator (Heath Ledger), Ator Coadjuvante (Jake Gyllenhaal), Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Sonora.









postado em 13/02/2006 no O Crítico Sou Eu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Munich


EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg


Bem, vamos lá. Após realizar um péssimo trabalho, digno do Framboesa De Ouro, com " A Guerra dos Mundos ", Spielberg retorna agora com o único blockbusters dos concorrentes à melhor filme neste Oscar 2006. Se isso é bom? Péssimo! Novamente Spielberg nos dá uma prova de que perdeu a mão já faz um tempo, arrisco a dizer que desde "A Lista De Shindler", ele não faz algo bom. Munique não é diferente. É o filme que é a cara da academia e não ficarei surpreso se vencer, não que mereça, mas porque reúne todos os elementos que agrada à conservadora Academia.

Munique conta a triste história do que aconteceu após o atentado à equipe israelense nas Olimpíadas de 1972, onde todos os atletas e terroristas morreram em uma ação desastrosa da polícia alemã. O que se segue ao atentado é a convocação de um policial do serviço secreto israelense para liderar um grupo de extermínio contra palestinos que, SUPOSTAMENTE, estariam envolvidos no episódio. Fiquei surpreso ao descobrir que o filme tratava do que veio depois e não do episódio em si, o que eu acho que seria muito mais interessante, apesar da crueldade da acontecido.

A história que se segue, não é nada interessante. Trata-se de um jogo de caça entre polícia e ladrão. Onde no meio disto tudo, o líder do grupo da polícia, claro fica paróico, tem problemas com a família, a filha que acabou de nascer, um prato cheio para os jurados deste prêmio antiquado que é o Oscar. E para piorar, o filme é longo, muito longo, daqueles que dá vontade de fazer xixi no meio. Foi o que aconteceu comigo, afinal são 2:44 de filme. Haja paciência. Se fosse bom, não haveria problema, mas ele começa a encher linguiça com as crises de Avner, o policial exterminador. Chato, um filme chato.

Se você ficou curioso pelo episódio, recomendo um documentário sobre o mesmo assunto que é 100 vezes melhor que o filme, "Um Dia em Setembro" conta tudo o que realmente interessa e não esta baboseira do que veio depois, talvez o livro seja mais interessante, mas a película deixa muito a desejar. É Spielberg, talvez fosse melhor você esperar a estatueta de conjunto da obra, pois do jeito que vai, o negócio tá feio. Prefiro lembrar de você como o diretor de Tubarão, E.T e Indiana Jones. Já deu queridão.

Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Edição e Trilha Sonora






postado em 06/02/2006 no O Crítico Sou Eu.

Boa Noite e Boa Sorte



EUA, 2005
Direção: George Clooney

Ufa!!!! Que filme amigos. George Clooney surpreende mais uma vez, e não é que o homem promete!!!! Já havia nos dado uma amostra de seu potencial com "Confissões de Uma Mente Perigosa", que passou despercebido por aqui. Agora George estava inspirado neste último trabalho, inspiradíssimo aliás.
Baseado em uma história verídica, Boa noite relembra o conflito entre o senador McCarthy, responsável pela perseguição aos comunistas na década de 50 nos EUA, e a equipe de televisão liderada pelo âncora Edward Murrow do programa que dá nome ao filme, da rede NBC.
Filmado em preto e branco, decisão certeira do diretor, pois transmite a sisudez e a credibilidade que o assunto pede, Boa Noite é um filme extremamente bem dirigido. Talvez George tenha somente se esquecido um pouco dos atores coadjuvantes, mas isso passa despercebido, ao menos para mim. O roteiro é maravilhoso, a atuação de David Strathairn, o Edward Murrow, esta soberba, a fotografia então.... Realmente, um FILMAÇO!!!!
A luta pela liberdade de imprensa, o tom desafiador que o jornalismo verdadeiro deve desempenhar, o apogeu e a queda. Claro, neste meio também só sobrevivem os mais fortes, mas você pode dormir tranquilo sabendo que fez o que pode.

Obrigatório, principalmente para as pessoas do meio televisivo e jornalístico, para saber como era o jornalismo da década de 50, e para quem não é do meio e simplesmente ama a sétima arte, pode ir sem medo, garanto que você saíra pleno. Digo isso de boca cheia. MUITO BOM!

Filme, Direção, Ator, Roteiro Original, Fotografia e Direção de Arte






postado em 06/02/2006 no O Crítico Sou Eu.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

Free Zone



Israel/Bélgica/França/Espanha, 2005
Direção: Amos Gitai

Como todos os outros filmes do israelense Amos Gitai, "Free Zone" trata da relação Israel/Palestina. Desta vez com 3 atrizes fabulosas.

Natalie Portman, que nasceu em Israel, procurou Gitai para protagonizar este filme. Ele conta a história de 3 mulheres que se encontram por motivos que só a alma feminina pode explicar. O amor e caridade acima de qualquer indiferença religiosa. Uma americana, uma israelense e uma palestina.
Se você sobreviver aos 10 minutos iniciais, o restante fica fácil. No início, um grande plano sequência mostra Natalie chorando, mas chorando muito. E como ela chora! Coitada da princesa Léa.

Ela está no táxi de Hanna. Hanna pergunta seu destino e Natalie responde: - Me leve com você. Natalie encontra-se deprimida pois acabara de romper com o namorado. Após muito insistir, consegue convencer Hanna que a leve para O Free Zone, uma feira de automóveis usados na divisa da Jordânia com Israel e Palestina. Hanna tem que ir até lá para receber um dinheiro que lhe devem. A partir daí entra a terceira mulher, a palestina. Tratam-se com indiferença e a americana sempre vendo tudo de fora.
Trata-se de um road movie, que mostra que antes de qualquer coisa, somo humanos e nosso instinto básico, independente de qualquer coisa, é ajudar o próximo.

As 3 partem no táxi, parecendo não haver diferenças tão cruciais entre elas, até que a briga em torno do dinheiro volta a ser o ápice do encontro. Quando a discussão esquenta, entre a israelita e a palestina, a americana sai do carro e começa a correr. Sim , o filme esta cheio de metáforas.

Neste caso podemos dizer que talvez os EUA prefiram se abster desta briga, mas sempre pendendo para o lado de Israel.
É um filme diferente, como todos de Gitai. Lento, porém sua cabeça acelera. É bom sair do cinema tentando decifrar o que o filme quis mostrar, muitas vezes melhor do que aquele que nos traz tudo mastigado. Vale também pela maravilhosa Natalie Portman e pelo impressionante trabalho de Hanna Laszlo que ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes. Um filme para poucos. Acredite.






postado em 04/02/2006 no O Crítico Sou Eu.

O Jardineiro Fiel



Germany/UK, 2005
Direção: Fernando Meirelles

Primeira incursão de Meirelles no Cinema Internacional, ou mais precisamente, no cinema independente americano com a Focus que vem crescendo muito com os chamados filmes de médio orçamento, que aliás, dominam as indicações para Oscar de melhor filme este ano.Tirando o blockbuster Munique, todos os outros 4 filmes são de médio orçamento. Que beleza!!!
Baseado na obra de Jonh Le Carré, " O Jardineiro Fiel " conta a verdadeira história por trás da indústria farmacêutica.

Grande Laboratório distribue gratuitamente uma nova medicação para a população carente da África. Remédio este que apesar de não ter finalizado as pesquisas, o distribue para os miseráveis que servem de cobaias.

A personagem de Rachel Weisz, uma repórter muito engajada, em viagem a África com o marido diplomata (Ralph Fiennes) começa a desconfiar de certas mortes e vai investigar, e não poupa esforços para isso, ao menos, utilizando-se das palavras. Descobre que o tal remédio estava sendo utilizado nos africanos sem ter finalizado suas pesquisas, o que provocaram muitas mortes. Para seu azar, milhões de dólares estavam em jogo e assim que a máfia da indústria farmacêutica se dá conta de sua insistência em descobrir o que acontece, tratam de eliminá-la. Começa a caçada de Fiennes para terminar o que sua mulher começara.
Trata-se de um belo filme. A direção esta impecável e a fotografia maravilhosa, lembrando em muitos momentos a fotografia de Cidade de Deus. A montagem também lembra muito "Cidade". O livro é muito forte e o roteiro adaptado ficou sensacional. Realmente, sou somente elogios ao trabalho que Meirelles vem realizando, colocando seu nome entre os grandes cineastas brasileiros e agora internacionais também.

É, o homem está com tudo e merece muito tudo isso. Infelizmente não foi indicado ao Oscar de direção, embora pudesse tranquilamente estar figurando entre os indicados, mas mesmo assim, vamos torcer para o Jardineiro na cerimônia, pois ele concorre em 4 categorias. DÁ-LHE FERNADINHO!!!!

Atriz Coadjuvante / Roteiro Adaptado / Montagem / Trilha Sonora







postado em 04/02/2006 no O Crítco Sou Eu.